Por
Rogério Coelho

“A prece do coração é tudo, a dos lábios nada vale.”– Allan Kardec 


Consoante o exposto pela questão nº. 660 de “O Livro dos Espíritos”, a prece torna melhor a criatura que ora, porquanto, quem ora com fervor e confiança, se faz mais forte contra as tentações do mal e Deus lhe envia bons Espíritos para assisti-lo.

Há quem – ingenuamente – acredita que o mérito da prece está na multiplicidade de palavras, mérito esse que nem mesmo os próprios defeitos que são habitualmente camuflados podem atrapalhar. Ledo engano! Há que se orar bem e não muito, respaldando a oração em um coração escoimado de maldade e egoísmo.

Ensinam os Espíritos Superiores que quando orarmos em favor de nós mesmos, não deve a prece resumir-se em mera ocupação de tempo ou significar tão somente o desencargo de um dever. Nesse caso, a prece deve refletir um estudo de nós mesmos, isto é, uma autoanálise.

A prece que fazemos a favor de alguém deve traduzir um ato de amor.

Modalidades de Preces


Há, em toda gente, uma acentuada tendência de orar somente para fazer pedidos. Segundo informação dos Amigos Espirituais, não é somente nessa circunstância que devemos fazer nossas preces. Em “O Livro dos Espíritos”, questão nº. 659, aprendemos que, através da prece, podemos propor-nos a três coisas: pedir, louvar e agradecer.

Devemos ser mais pródigos nas preces de louvor e agradecimento, porque muitíssimas vezes somos – sem o saber – beneficiários das benesses divinas, e, assim procedendo, estaremos permanentemente ligados às imperecíveis fontes do Mundo Maior e sendo por elas favorecidos.

Segundo Allan Kardec, o pensamento e a vontade representam em nós um poder de ação que alcança muito além dos limites de nossa esfera corporal. Existe no Mundo Espiritual certos aparelhos capazes de registrar os impulsos das preces e, concomitantemente, acionar os recursos que chegam através dos Espíritos Amigos.

Quando Jesus proclamou a lei: “amai-vos uns aos outros”, Ele não entrou em detalhes quanto à forma de atingir tal desiderato. Essa recomendação pode realizar-se de mil modos diferentes, inclusive através da prece.

Quando sinceramente oramos por alguém, bons Espíritos aproximam-se dessa criatura, envolvendo-a com seus eflúvios benéficos, esclarecendo-a, consolando-a, fortalecendo-a e dando-lhe esperanças.

Jesus, que é o nosso “modelo e guia” orava pelas criaturas sofredoras, dando-nos, assim, o exemplo a seguir.

Existem ligações de âmbito espiritual que nem de longe podemos imaginar; e a prece consolida essas ligações fraternas que se traduzem em paz, harmonia e interações sadias.

Quando oramos em favor de alguém, ligamo-nos afetivamente, resultando, daí um incomensurável sentimento de empatia, gratidão e afeto da parte do beneficiário. Consequentemente, podemos inverter muitas situações de malquerença (daí Jesus aconselhar o amor até aos inimigos, e a prece é uma forma de expressá-lo), com isso fazendo florescer o vero amor que Ele lecionou e tão bem exemplificou.

Entendemos por tudo isso que assiste plena razão ao Benfeitor Espiritual, quando, respondendo à questão 658 de “O Livro dos Espíritos” disse: “a prece é sempre agradável a Deus, quando ditada pelo coração”.