Couro de Peixe de Pontal do Paraná recebe registro de Indicação Geográfica pelo INPI

A variedade de produtos a partir do couro de peixe estiveram à mostra na 30ª Expoturismo Paraná.
Foto: Rede Multilivre

Valorização da cultura local, aproveitamento do que viraria resíduo e a transformação em fonte de renda para comunidades. Pontal do Paraná, no litoral do estado, conquistou o 26º registro de Indicação Geográfica do Paraná, concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI). O produto que vai levar o nome do município como uma referência nacional é o couro de peixe.

A certificação foi concedida na modalidade Indicação de Procedência em 12 de maio. É uma forma de valorização que dá visibilidade à tradição e criatividade dos produtores caiçaras, a partir do aproveitamento de 16 espécies de peixes, cuja pele vira matéria-prima em couro e ganha valor agregado, gerando renda.

A produção de couro de peixe em Pontal do Paraná começou em 2008, a partir de uma iniciativa do programa Universidade Sem Fronteiras, da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (SETI/PR). Em 2023 começou a busca pela Indicação Geográfica com a estruturação da Associação Couro de Peixe de Pontal do Paraná (ACPPP), capacitações para qualificação da cadeia produtiva e a elaboração do caderno de especificações técnicas, contendo as etapas para a produção do couro, desde a aquisição e limpeza das peles até secagem, tingimento, amaciamento e comercialização.


Artesãs integrantes da ACCPR: criatividade que ganha o mundo
Foto: Inove/Sebrae



Atualmente, 16 produtores atuam diretamente na atividade e cerca de 30 famílias são beneficiadas de forma indireta por meio da cadeia produtiva, que utiliza peles de espécies tanto de água doce quanto salgada. corvina, tainha, salmão, tilápia, linguado-abaxial, pescada amarela, robalos flecha e peva, parú, miraguaia, prejereba, cavala e peixe-porco são algumas das espécies reaproveitadas, que criam diferentes texturas de couro.

Essa variedade de espécies, a resistência e a elasticidade do couro permitem a criação produtos artesanais que vão desde chaveiros e cadernetas a requintadas bolsas, colares e acessórios. O couro de peixe de Pontal do Paraná já alcança mercados internacionais, estando presentes em países como Alemanha, França e Portugal.



Os processos

Após a compra da pele do peixe, vindo principalmente de pescadores artesanais, os produtores realizam uma limpeza manual, retirando restos de carne e gordura. Em seguida, a pele passa para o processo de curtimento, em um processo que transforma a pele em um couro sem odor, a partir da estabilização das proteínas. Para chegar a essa tecnologia, foram necessários estudos de quase duas décadas em laboratório da Unespar e a vantagem é o não uso de cromo, substância tóxica muito comum em produtos de curtimento de pele bovina.

Curtido o couro, a etapa seguinte envolve a pintura com pigmentos naturais, como urucum para tons avermelhados ou cúrcuma para cores amarelas. As etapas finais são a hidratação e a secagem, feita à sombra. Todo o processo dura dois dias e meio, enquanto o do couro bovino leva em torno de uma a duas semanas.


As etapas de produção do couro levam produtos naturais.
Foto: Inove/Sebrae PR




Paraná: liderança nacional



Com o couro de Peixe de Pontal do Paraná, o Estado soma 26 IGs reconhecidas, sendo o estado com o maior número de registros no Brasil. Na sequência vem Minas Gerais, com 21 registros, São Paulo e Rio Grande do Sul, ambos com 13 indicações cada.


Conheça os produtos, cidades e regiões com Indicação Geográfica

  • Couro de Peixe - Pontal do Paraná
  • Ginseng de Querência do Norte
  • Café da Serra de Apucarana;
  • Café de Mandaguari;
  • Cafés especiais do Norte Pioneiro;
  • Tortas de Carambeí;
  • Ostras do Cabaraquara, Guaratuba;
  • Ponkan de Cerro Azul;
  • Broas de centeio de Curitiba;
  • Carne de onça de Curitiba;
  • Cracóvia de Prudentópolis;
  • Urucum de Paranacity;
  • Queijo colonial do Sudoeste do Paraná;
  • Queijos coloniais de Witmarsum;
  • Mel de Ortigueira;
  • Mel do Oeste do Paraná;
  • Cachaça e aguardente de Morretes;
  • Barreado do Litoral do Paraná;
  • Melado de Capanema;
  • Vinhos de Bituruna;
  • Bala de banana de Antonina;
  • Erva-mate de São Mateus do Sul;
  • Camomila de Mandirituba;
  • Uvas finas de Marialva;
  • Morango do Norte Pioneiro;
  • Goiaba de Carlópolis.

Outros cinco produtos paranaenses têm pedidos em análise no INPI:

  • Acerola de Pérola;
  • Pão no bafo de Palmeira;
  • Cervejas artesanais de Guarapuava;
  • Mel de Capanema;
  • Cambira, prato típico de Pontal do Paraná.


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