
Fotos: Luiz Pacheco/FCC
Arquiteto responsável por alguns dos edifícios que colocaram Curitiba no mapa do modernismo, Romeu Paulo da Costa era também um apaixonado pela fotografia. E essa outra faceta do autor do projeto da Biblioteca Pública do Paraná e de outros edifícios do Centro da cidade ganhou pela primeira vez uma exposição.
A exposição Romeu Paulo da Costa: O Olhar Construído, aberta nesse domingo (30/8), na Casa Romário Martins, no Largo da Ordem, pode ser conferida de terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 18h, e sábados e domingos, das 9h às 14h.
Promovida pela Fundação Cultural de Curitiba, a exposição reúne fotografias produzidas entre as décadas de 1940 e os anos 2000. São imagens que revelam não apenas a arquitetura e as transformações urbanas da capital, mas também cenas do cotidiano, paisagens e momentos da vida familiar. A mostra foi organizada pelos arquitetos Paula Morais e Fábio Domingos Batista, com curadoria também de Ângela Morais e Mayra Pedroso, que também assina a expografia.
Responsável por projetos que colocaram Curitiba no caminho da urbanização moderna, Romeu Paulo da Costa deixou sua marca em construções como o atual prédio da Biblioteca Pública do Paraná e o Edifício Marumby, considerado o primeiro edifício residencial vertical da cidade.
“A vocação da Casa Romário Martins é dar voz e visibilidade para figuras históricas que ajudaram a construir nossa cidade. Romeu Paulo da Costa se junta a outros grandes profissionais que desenharam Curitiba e realizaram obras importantes. Além dos projetos, ele também era um grande fotógrafo e registrou muita coisa. A população poderá, neste espaço histórico, conhecer um pouco mais de sua obra”, disse o presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Marino Galvão Júnior.

Um desenho na cabeça e uma câmera na mão
A fotografia era uma extensão do trabalho e da vida de Romeu Paulo da Costa. Onde quer que estivesse, ele costumava levar consigo seu equipamento fotográfico. Com isso ele registrou a construção de suas próprias obras em Curitiba e projetos de colegas de profissão Brasil afora, como os de Oscar Niemeyer.
A família era outro tema que Romeu gostava de clicar, e ela está presente na exposição. A filha do arquiteto, Lauri da Costa, participou da abertura da exposição e se emocionou ao rever as imagens produzidas pelo pai. “É muito emocionante ver essas imagens. Elas trazem tantas recordações, tantas memórias. É a primeira exposição de fotografias dele', disse a filha.
Lauri sempre soube da paixão do pai pela fotografia, que mantinha em casa um laboratório para revelação de filmes. Mas a dimensão de sua produção fotográfica só foi percebida mais recentemente. “Eu sabia que ele era apaixonado por fotografar, mas só fui perceber recentemente que ele, além de um grande arquiteto e engenheiro, era também um grande fotógrafo”, contou.
Pela contagem de Lauri, o pai deixou cerca de 4 mil slides produzidos ao longo de mais de seis décadas, entre os anos 1940 e os anos 2000. O rico acervo foi “descoberto” pelos arquitetos Paula Morais e Fábio Domingos Batista, durante a produção do livro sobre Romeu Paulo da Costa, escrito junto com a filha Lauri.
“Quando estávamos fazendo o livro, a Lauri abriu esse acervo. Daí surgiu a ideia dessa exposição e aqui tem apenas um recorte bem pequeno do que ele registrou”, destaca Paula Morais, que também é fotógrafa. A família de Romeu doou o acerco digitalizado dessas imagens para a Casa da Memória.
Um dos construtores da Curitiba moderna
Nascido em Curitiba, em 1924, Romeu Paulo da Costa estudou Engenharia na então Universidade do Paraná, na década de 1940. Foi contemporâneo de importantes nomes da arquitetura paranaense e trabalhou com profissionais como Rubens Meister, autor do projeto do Teatro Guaíra.
Um de seus trabalhos mais emblemáticos é o atual prédio da Biblioteca Pública do Paraná. O projeto foi elaborado em 1951, a pedido do então governador Bento Munhoz da Rocha Netto, e a construção se tornou um dos marcos das comemorações do Centenário da Emancipação Política do Paraná.
Além da Biblioteca Pública, Romeu projetou edifícios marcantes da região central de Curitiba, como o Marumby, na Praça Santos Andrade; o Rosa Perrone, na Rua São Francisco; a Sinagoga de Curitiba; o Edifício João Alfredo, na Praça Zacarias; e o Grupo Escolar Barão do Rio Branco.
Pintor, designer, funcionário público e professor, Romeu Paulo da Costa teve participação importante na construção da identidade moderna de Curitiba. Foi também um dos fundadores do primeiro curso de graduação em Arquitetura do Paraná, trabalhou por quase três décadas na Secretaria de Viação e Obras Públicas do Estado e lecionou na Universidade Federal do Paraná entre 1950 e 1983.
Romeu Paulo da Costa morreu em 2014, aos 90 anos.
Serviço
Exposição Romeu Paulo da Costa – O Olhar Construído
Visitação: de terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 18h, sábados e domingos, das 9h às 14h
Entrada: gratuita
Endereço: Casa Romário Martins
R. Cel. Enéas, 40 – Largo da Ordem